O analfabeto funcional da democracia

terça-feira, 15 de junho de 2010 - Por: Clodoir Vieira - Arquivado em: Análise Fundamentalista

Quando usamos o termo analfabeto funcional dá-se uma conotação de não saber ler, mas vamos definir melhor o que um analfabeto funcional. A expressão tem sido utilizada para designar a incapacidade de pessoas utilizarem a leitura e a escrita. Não se trata de pessoas que nunca foram à escola. Elas sabem ler, escrever e contar; chegam a ocupar cargos administrativos, mas não conseguem compreender a palavra escrita. O analfabetismo funcional constitui um problema silencioso e perverso que afeta as empresas e o mundo, esse é um fenômeno complexo.

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O que eu quero colocar em discussão é: o que é um eleitor analfabeto funcional da democracia?

A democracia no Brasil está consolidada, mas entramos em um terreno utópico, dadas as circunstâncias da atual conjuntura nacional. O que acontece é que ganhamos o direito de votar, de nos expressarmos, mas nunca fomos educados a discutir a “Política e os Políticos”. Fico sempre observando e triste em ver todos discutindo o time que foi convocado pela seleção do Dunga, mas não vejo as pessoas discutirem a seleção que vai para Brasília. Essa somos nós convocamos, ficará ativa por quatro anos e poderá mudar nossas vidas. O que proponho aqui é que o (e)leitor discuta a vida de cada candidato, sua ética, postura, honestidade e realizações. Até acredito que não precisaríamos ter uma lei – que é conhecida como Ficha Limpa – se o eleitor eliminasse as mazelas da política. Apesar de que Ficha Limpa foi uma iniciativa popular.

Todos aspiramos pelas reformas prometidas pelas seguidas legislaturas. Daquelas previstas para dar novo impulso ao país, sem dúvida que a de maior prioridade será a de natureza política. Acontece que, a quem caberia fazê-la seria aos próprios, mas alguns, conduzindo-se da forma tortuosa e mal intencionada, jamais teriam interesse em levá-la adiante, pois se faz beneficiário das próprias mazelas.

Para que o “analfabetismo funcional da democracia brasileira” se erradique só existe uma saída: educar, educar e educar o cidadão e mostrar os seus direitos. E educação com qualidade não tem custo; é investimento. O custo da educação é a despesa do voto errado, mal feito, incompleto, sem conhecimento. É o custo o analfabetismo funcional.

Clodoir Vieira – Economista da corretora Souza Barros e professor de Mercado de Capitais na FIB e na pós-graduação no IPOG-Goiania.

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O Brasil deixou de ser um país do futuro. O futuro é agora!

segunda-feira, 10 de maio de 2010 - Por: Clodoir Vieira - Arquivado em: Análise Fundamentalista

Não tenho dúvida de que o Brasil mudou e muito nos últimos 20 anos. Hoje temos uma democracia consolidada, porém entramos em um terreno imaginário, dadas as circunstâncias da atual conjuntura nacional. O nosso país necessita de reformas estruturais e, claro, não são essas medidas que levam às eleições.

Quem vota em políticos que têm como proposta a reforma da previdência? Se do lado da política monetária atingimos a maturidade, não se pode dizer o mesmo do lado fiscal. As contas do governo ainda estão inchadas e precisam ser compensadas por juros mais elevados.

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Assim, a mudança previdenciária e a reforma fiscal são as grandes alavancas da economia para o futuro. Mas se o Brasil exibe problemas graves do lado da infraestrutura, com a falta de investimento governamental, sofre com o déficit da previdência e necessita de uma reforma fiscal, precisamos encontrar no universo dos candidatos quem se proponha a fazer essa reforma de verdade e não simplesmente aumentar o tamanho do Frankenstein.

Podemos analisar um político de diversas maneiras, mas sempre devem ser levadas em consideração sua postura ética, seu histórico político e suas realizações. Além disso, o político deve demonstrar competência, ter visão do ser público que é e ter cumprido com os compromissos que assumiu perante a sociedade. A democracia implica responsabilidade dos cidadãos com relação aos seus representantes, pois estes são por eles escolhidos. A oportunidade é dada, no entanto, a escolha deve ser feita com conhecimento de causa.

Sim, a democracia e o sonho de escolher um candidato "perfeito" ficam no mundo do imaginário. Desta forma, precisamos trabalhar no mundo da realidade e a realidade mostra que novos degraus foram alcançados. Não há sombra de dúvidas de que a economia brasileira avançou e este comportamento está relacionado à continuidade da política econômica, com a acertada adoção do regime de metas.

Ajudou ainda a conjuntura externa melhor e o crescimento dos nossos amigos chineses, que passaram a ser os grandes compradores de nossas commodities. Desta forma, o Brasil foi salvo da crise norte-americana. O Brasil é um grande exportador de commodities para o dragão chinês. Portanto, precisamos nos preocupar e estarmos preparados para um possível desaquecimento do mercado chinês e dos países emergentes.

De qualquer forma, passamos por um amadurecimento macroeconômico, político e institucional que permitiu ao Brasil estar menos vulnerável às crises internacionais como no passado. Assim, durante a crise financeira internacional iniciada ao final de 2008 e que se estendeu por 2009, o Brasil passou com poucos arranhões. O país mostrou a chamada resiliência, ou seja, a capacidade de que tudo volte ao mesmo lugar depois de um choque. Isso ocorreu por várias razões relacionadas à menor percepção de risco país e menores incertezas políticas.

Além de todas estas questões, mesmo que seja por falta de opção, os investidores internacionais passaram a olhar oportunidades novas por aqui. Novos players passaram a aportar capitais por aqui tanto por meio de investimento direto como por alocação de recursos no mercado de capitais. A previsão é de que a taxa de investimento irá surpreender em 2010, e registrar em torno de 20% de crescimento.

Simplificando, o vôo da galinha transformou-se em vôo do gavião. A economia brasileira segue crescendo em ritmo forte e o incremento previsto do PIB ficará acima de 6% em 2010. Esta é uma taxa de crescimento invejável a todos os governantes, principalmente os dos países desenvolvidos, marcados pela crise econômica mundial e que irão exibir baixíssimo crescimento. Em relação à média brasileira, também veremos que a tendência atual está muito distante do registrado nas últimas duas décadas: 2,52% ao ano.

Nosso crescimento está calcado no consumo doméstico, com o incremento da renda das famílias e aumento dos gastos do governo. Mas também há o lado positivo, com o maior investimento. A absorção doméstica, definida pelo consumo das famílias, somado aos investimentos e aos gastos do governo (demanda agregada, sem o setor externo) -, crescerá acima de 8,0%, conforme estimativas do mercado. Tal comportamento é, tipicamente, de países com infraestrutura sólida.

Tudo parece uma maravilha, mas o problema é: temos uma infraestrutura sólida?

Para crescer a uma taxa média acima de 5%, vamos nos deparar com aqueles "pequenos entraves" que enumeramos no início deste artigo. A solução destas pedras no sapato depende da boa vontade dos governantes. Há muitos novos passos a serem dados em termos de reformas estruturais e avanços na infraestrutura, na educação. Por último, o crescimento esbarra no custo Brasil, ou seja, naqueles fatores que afetam os custos de produção e de investimentos.

Como tudo é questão de se agarrar nas oportunidades, não podemos esquecer que, se o Brasil não fizer reformas na área fiscal e não melhorar as condições para desonerar os investimentos, não vamos ter condições de continuar crescendo em um ritmo mais acelerado como é desejado pela população. Para que isso aconteça, precisamos de políticos com "P" maiúsculo, que estejam pensando no futuro do país e tomem medidas menos eleitoreiras e mais estruturais.

*Clodoir Vieira é economista chefe da corretora Souza Barros e professor de pós-graduação no IPOG-Goiania e Mercado de capitais na FIB. O conteúdo deste artigo é de responsabilidade do autor. Esta seção não se responsabiliza por operações decididas a partir das informações e opiniões divulgadas neste artigo.

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  • 11/05/2010

    O Brasil está num momento muito bom, poderíamos está crescendo ainda mais, como a China, que seu índice de crescimento é 12%, e o Brasil têm potêncial para isso. ótimo artigo, abraço
    Por Tiago . tiagoenes@hotmail.com
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Movimento do IBOVAP – 15 a 21/03/2010

segunda-feira, 22 de março de 2010 - Por: Clodoir Vieira - Arquivado em: Análise Fundamentalista

A semana de 15 a 21/03/10 foi bastante agitada com IPOs dos presidenciáveis Ciro Gomes, (preço de lançamento UVP 20,21) e Dilma, com preço de lançamento de UVP 17,90.  No fechamento do dia 21/03, Dilma estava negociando a UVP 140,00, com uma alta de 738% em relação ao seu lançamento e Ciro fechou a UVP 80,00 com uma alta de 345%. O IBOVAP na semana fechou com uma alta de 425%, puxado pela euforia de lançamento de Dilma e Ciro. O destaque da semana ficou com Dilma, que teve a maior valorização da semana. A maior baixa da semana foi de Paulo Skaf, com uma queda de 34,80%.


O volume do IBOVAP atingiu UVP 24.2 milhões, com 4.859 negócios. Cada vez mais o mercado vai ficar agitado com os novos IPOs. A queda da Marta, Soninha, Paulinho e Skaf foram realizações de lucro e também para fazer caixa para entrar nos IPOs de Ciro, Dilma e outros que vão vir ainda. Prepare o caixa! 

Clodoir Vieira – Analista de investimento da Corretora Souza Barros e Professor de Mercado de Capitais na FIB e na pós-graduação do IPOG.
 

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A política pode deixar você mais pobre

terça-feira, 9 de março de 2010 - Por: Clodoir Vieira - Arquivado em: Análise Fundamentalista

Quando me convidaram para fazer análise com base fundamentalista dos políticos, fiquei pensando o que analisar. Mas vamos lá! Cada um tem a sua preferência pelo partido ou pelo político. Com isso, muitas vezes, esquecemo-nos de analisar o quanto a decisão de seu político ou de seu partido, seja qual for o nível de esfera governamental, vai influenciar na sua vida e na de todos. Quando entramos em uma instituição financeira para fazer um investimento, logo perguntamos: “qual o ganho esperado?” e “qual o prazo estimado para alcançá-lo?”; além disso, “qual o risco de perda envolvido?” e “qual sua liquidez?” – ou seja, posso sair dele antes da data limite de vencimento?

Quando tomamos a decisão de votar, temos que fazer essa mesma análise. Pois, o eleito ficará lá por quatro anos, no mínimo, e tomará decisões que podem mudar a vida de uma nação inteira. A influência dele sobre as famílias do país é maior que a de qualquer outro profissional. Então, pense em quem você vai “investir” e considere seu voto como um investimento de longo prazo, em prol do seu estado e do seu país.

Quando analisamos uma empresa, olhamos seu passado e o que seus administradores planejam para o futuro. Se as coisas não correrem conforme o esperado, o valor de mercado da empresa pode despencar, e você poderá ter prejuízo. Com os políticos, não é diferente: conforme eles vierem a se comportar você poderá realizar prejuízos, até muito expressivos. Muitas vezes esse prejuízo não é percebido de imediato. Porém, no futuro, poderá custar muito caro, para você e para toda a coletividade.

Quando você vota em um político é como se comprasse as idéias, investisse em seu valor futuro, a partir de suas atitudes do passado, tal qual é feito com as empresas. A única diferença é que, uma vez eleito, você não consegue ter liquidez para o “investimento” feito – normalmente não dá para sair dele antes do vencimento do mandato respectivo. No caso, o seu “investimento” é o seu voto.

Podemos analisar um político de diversas maneiras, mas sempre devem ser levadas em consideração: sua postura ética, seu histórico político e suas realizações. Além disso, o político deve demonstrar competência, ter visão do ser público que é ter cumprido com os compromissos que assumiu perante a sociedade.

A democracia implica na responsabilidade dos cidadãos com relação aos seus representantes – pois, estes são por eles escolhidos. Mas, oferece a oportunidade de que essa escolha seja feita com conhecimento de causa. Então, antes de votar, avalie os que pleiteiam seu voto pela ótica da ética, do histórico, da honestidade e daquelas realizações que demonstram o cumprimento dos compromissos assumidos em outras eleições.

Através do www.bovap.com.br você vai poder expressar sua avaliação dos diversos candidatos e interagir com os demais participantes, não só “negociando” em um mercado aberto esses valores, como se relacionando com outras opiniões via Twitter, Facebook e Blogs, de forma ágil, dinâmica e sem intermediários. Semanalmente faremos um comentário sobre a evolução do índice IBOVAP.

 

Clodoir Vieira – Analista de investimento da Corretora Souza Barros e Professor de Mercado de Capitais na FIB e na pós-graduação do IPOG e FAESB.

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  • 09/03/2010

    Muito, mas muito legal!
    Por Juliano . juantrax@yahoo.com.br
  • 10/03/2010

    Parabéns e muito obrigado pela aula.
    Por gustavo alberti . gustavo@fdd.com.br
    http://www.fdd.com.br
  • 10/03/2010

    É muito importante essa visão e pensamento que devemos ter sobre os politicos, nos anos 30 minha familia ficou totalmente pobre(meu avô tinha motorista particular e morava na Av Paulista), minha avó tinha que lavar roupa para fora para poder sustentar o meu pai e meus tios, pois com o ocorrido da queima do café perdemos tudo e meu avô faleceu em 1933, por causa do Getulio, até hoje não conseguimos sair da classe média baixa.
    Por Remy . remy16@bol.com.br
  • 10/03/2010

    Todo Brasileiro deveria ler esse texto! Parabéns!
    Por Adriana . adrianafeffer@uol.com.br
  • 12/03/2010

    Meu muito obrigado pelos comentários. Clodoir Vieira.
    Por Clodoir Vieira . clodoir@souzabarros.com.br
  • 17/03/2010

    Prezado Clodoir Sua ótica esta perfeita na comparação, tanto os investimentos quanto os políticos precisão de credibilidade para sustentação. Porém, a democracia não consolidada abre uma infinidade de possibilidades quanto ao direito e dever na construção de uma sociedade. O alcance das informações, talvez, não seja a maior das dificuldades, mas, sim como interpretá-las. Ontem cerceados pela ditadura militar, hoje pela ditadura educacional, nosso povo em sua maioria perdeu o conceito de unidade, elegendo a individualidade. Assim os políticos fazem da democracia, o interesse próprio, e de seus apadrinhados, tudo isso, sustentado pela corrupção que passa por todos os níveis e poderes. Essa característica mostra nossa dura realidade de país subdesenvolvido, onde temos grandes fortunas e grandes misérias. Como então, fazermos a lição de casa, como então mostrar ao mundo que fazemos parte dele, se nossos governos querem fazer do Brasil o mundo deles. As eleições estão ai, e são os mesmos a preitear nosso voto, onde encontrarmos neles o perfil de estadista? Como você sabe, meu trabalho técnico esta voltado à área pública e minhas palavras dão conotação de pessimismo, mas não é verdade, acredito bastante que podemos fazer uma grande virada. Assim como você, eu e as exceções dos politicos, existem outras pessoas compartilhando desse ideal e atualmente esta sendo ministrado pela Fundap – Fundação do Desenvolvimento Administrativo ligada a Secretaria de Gestão Pública do Estado de São Paulo um curso através de vídeo conferência com duração de 20 horas, todas as segundas das 13 as 17 horas, com objetivo criar conceitos de planejamento estratégico no meio público, voltado exclusivamente para técnicos e secretários municipais. Essa discussão é bastante saudável; ampliada poderá mostrar onde e como cada um de nós podemos contribuir para a construção de sociedade mais justa. Parabéns pela matéria ! Um grande abraço Cláudio Vieira Prof. Contab. Pública
    Por Cláudio Vieira . claudioprof.cp@terra.com.br
  • 19/03/2010

    Interessante! Divulguei a idéia, genial!
    Por Schneider . dudektria@gmail.com
    http://dudektria.org
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Movimento do IBOVAP – de 01 a 05 de março

terça-feira, 9 de março de 2010 - Por: Clodoir Vieira - Arquivado em: Análise Fundamentalista

O período de 01 a 05/03/10 teve fortes emoções no Índice da Bolsa de Valores Políticos – IBOVAP, que começou a semana com 168 pontos, teve um máximo de 376 pontos e fechou com 333 pontos, com uma alta de 137,52%. Isso mostra que a volatilidade ainda está muito alta. Assim que as candidaturas forem confirmando, com as prévias dos partidos, esse aspecto deve diminuir em função de mais informação e consolidação dos planos de governo de cada candidato.

O destaque da semana ficou com o Paulinho da Força, que teve uma alta de 241,67%, em segundo Celso Russomanno, com alta de 128,21% e em terceiro ficou Paulo Skaf. No dia 03/03 o volume negociado atingiu UVP 1,4 milhões, ficando acima da média da semana que foi de UVP 0,96 milhões.

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